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21
Mai
09

Ground Zero

Calendários artificiais,
em cataventos sem tempestades
das planícies secas de Van Gogh
[não ficaremos conversando eternamente].

Eu acho,
palavras factualmente empíricas
no mais exato verbo da amplidão
solitária
do verso indiferenciado.
 
Olho de mina d’água para os olhos
pelas historietas inglórias;
é a mulher da vida do protagonista
que o visita em pesadelos surreais,
contextualizados no teatro absurdo.
 
Apraz-me escrever…

07
Mai
09

Maniqueus [The Joke]

Nunca soube dizer o que sinto,
não querendo dizer que não sinta.
Corro para esfolar fantasmas
que querem me assustar,
que querem me levar tudo,
antes de eu chegar.
[sempre a mesma bosta para pisar,
sem a mesma porta para bater].

É um acontecimento revelador: demonstra como a vaidade cega; a revolta interna corrói _numa sangria contínua_, a sabedoria fenece quando enegrecida pela bile; a amarga sensação de tempo perdido em divagações, depressões mentais inúteis e intransponíveis pela inesperiência. Despreparo, na leitura subliminar das relações interpessoais diante do tribunal de rua, numa pálida sombra de si mesmo. A sombra das derrotas infortunas.
Algo superior, inquestionável e imcompreensível. Quem paga, tudo isto?
Uma sensação estética de ter sido abandonado pelo caminho, de ter perdido o tempo por entre os dedos, de sua vez ter passado, de dar passagem ao que vem: o novo tempo! Que, também, poderá ser repetição do que foi. É. É isto: vida é repetição com alguns aperfeiçoamentos ou ajustes aos novos moradores inquilinos desta vida.
Algo íntimo para ter um lugar no mundo, uma casa apenas sua; um universo sagrado que fica gravado na mente, uma quimera miserável de um miserável.
Entretanto, parece cada vez menor e miserável e sem criatividade ou coragem, e as ações não condizem muito com a personalidade.
Está repleto de respostas destituídas da força magnética da prosa do dia-a-dia, pólo oposto ao elevado céu de qualidade.
Talvez sinta agora uma sensibilidade maior ao frio, uma vontade de voltar mais cedo para casa; seu olhar não arda mais quando pousa nas coisas; e o rosto sobre a mesa, encurvado, tudo imóvel, sem mais enigmas ou chegadas ou partidas, simplesmente espera sem a caneta, sem o cinzel, sem mais a curiosidade necessária, fazer a maquiagem retórica e corporal de gente sem conserto.
Um fantoche. Com rugas descrentes.

“O que mais te surpreende na humanidade?”. E ele respondeu: “Os homens me surpreendem… Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro, e vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”. Dalai Lama

04
Mai
09

Breaking Stones

Vida de otário,
tem tragédias, tem dois lados,
mesmo quando aterrorizantes
na indiferença.
Ironia:
Ter fome e não ter o que comer,
ter o que comer e não poder comer
… por causa da hiperglicemia!

04
Mai
09

Muita informação qualquer:

Noite outonal em Gothan City,
mesmo se não tivesse esse diálogo.
[me faz pensar uma vez mais no quanto devo]
O karma responderia à altura
nas vozes que o tempo esqueceu de envelhecer,
precisariam proceder por tentativa
e erro de decidir por uma noite de farra.
[dizem alguns, do alto de uma superioridade tão ridícula quanto insustentável]
Vacinado contra tal tipo de arrogância
foi por ter tido… fome.
P.S.: Nunca agradeci a mal-encarada companheira que ensina, nem pude fazê-lo depois, pois nunca mais nos cruzamos. Faço-o agora.

04
Mai
09

Life’s too short

Eu, réu de mim
… o advogado de defesa faz suas alegações finais…
Quantas oportunidades perdidas, quantas coisas por dizer, quanto sangue desperdiçado pelos olhos. Nunca fomos tão incapazes __por bestas deficiências emocionais legais, cegas__ de abarcar e relacionar tantos assuntos, até mesmo díspares e contraditórios, com tanta lógica e engenho, sem exceção, demonstrando os graves acidentes de percurso que um pensamento apaixonado-confuso e expansivo-perdido pode sofrer por não haver a compreensão subliminar mútua. Nunca fomos culpados, pois, estas letras não interessam, nem devem interessar a ninguém e não quero que interesse. Nossa história não vende.

Nós, os personagens, vociferamos, caluniamos, analisamos e diminuímos os objetos de contemplação resignada em todos os sentidos e direções, acusando fracassos, denunciando preconceitos e, de modo intenso e arrebatado, transferindo culpas e responsabilidades, reclamando por uma vida miserável perdida por entre os dedos dos anos (e que talvez nunca tenha existido). Quando na verdade queríamos o doce… nos queríamos com toda força sanguínea, com toda força pulmonar, fundir visceralmente carne na carne, dente com dente. Mas, o verbo soou mudo, distorcido pela corrosão abrasiva de muita comunicação dispersa entre espinhos.
Na acidez da visão, pela ira da voz, os manuscritos vitais, tortuosos e densos poderiam ser facilmente contra-indicados a todos os espíritos frágeis desejosos de palavras leves, frugais e imaginárias – o mundo amargo e asfixiante da fome existencial, que parece não possuir espaço para a inocência: as frases de sintaxe complexa em Braille para leitores de pupilas dilatadas às portas da percepção, as constantes repetições ensurdecedoras para indiferentes, a detalhada exposição das fraquezas depenadas de tudo e de todos: um universo inebriado em plena decomposição, que a narração recupera e lamenta enquanto busca culpados que possam responder por tudo aquilo que se perdeu. Quem pagará pelo breu?

04
Mai
09

Muito pouco de tudo…

Devemos, pois,
singrar a intoxicada juventude.
para depois entendermos a maturidade
e seus arrependimentos.
Diferentemente, sentir um nó se formar na garganta
pela cena de vida que poderia ter acontecido
numa farsa literária vivida com linguagem alegórica.

04
Mai
09

Arvores Enlatadas

A introspecção, o pensar seu mundo, um prazer genuíno no “insight cerebral” de uma cena completa, com uma forte visão do todo atingível, e uma profunda compreensão de suas criaturas numa plasticidade abstrata nunca encontrada.
É uma renovação.
Há um pouco de tudo: pensamento, narração (reduzida ao essencial), humor, erotismo, música, pintura, filosofia, complexidade psicológica, imaginação verbal e um bufo grotesco.

Recordar-se os motivos pelo qual se retirou de Gothan City enquanto, sem piedade alguma, disseca as suas relações, enquanto rememora, com humor e emoção, seu passado comum com sua quimera vestal, efêmera e etérea, de como seus sonhos foram destruídos, um a um, pela mesquinhez do mundo que o cercava, de como a inocência com a qual via o mundo e a arte foi destruída pelo universo desconhecido que se abria, promissor, diante dele, iludindo-o com um futuro feliz que nunca teria.
Rememora, escutando as opiniões pedantes e afetadas do traça inexistencial que quer dar soluções, faz croquis de perfis dantescos de quem vê e pensa que vê você, com ironia, que se consome e cria.

04
Mai
09

Olhar vesgo poetizado

Desde setembro de 19??,
com a diferença de dias,
o verbo briga entre o mar e o rochedo,
feito homem poderoso pensar.
este viveu
sonhando com a própria estátua.

Grande impacto emocional.
na convergência de método infames
de eliminação do sonho,
do pó ao pó
manchando de opróbrio
[cúmplice e executor] de vida suburbana.

Como também sua vida,
_imprevisível_,
a palavra-espinho com a agudez da flecha:
disparada, nada intercepta ao alvo,
que nada esmaece
ao olho cego da tempestade.

09
Abr
09

Bufo Dalí

Narrador do mal
em pálido e confuso
prêmio geoestratégico
de um casebre humano
a encarar seus problemas
internos de forma pacífica,
desejando evoluir muito
aquém das suas origens miseráveis,
depois do colapso dos planos.
Não decolou.
Perdeu a justificativa de sua existência:
defender-se contra um possível ataque
dos inimigos imaginários.
Não existem inimigos declarados,
somente, sombras mal esclarecidas
violando as promessas de prosperidade
[... tss, tss, moscas do destino].

09
Abr
09

Santo Parasita

O santo de barro disse:
Que o céu é dele
e que tudo, vai mudar!
Que de pronto, respondo:
Lobo em pele,
vai pastar!
[O mar continuará a ser mar,
e o sertão continuará a ser sertão].