Arquivo do Autor para baratas



28
Set
09

Pra te lembrar

Composição: Nei Lisboa

Que que eu vou fazer pra te esquecer?
Sempre que já nem me lembro
Lembras pra mim
Cada sonho teu me abraça ao acordar
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nem um adeus pode apagar.

Que que eu vou fazer pra te deixar?
Sempre que eu apresso o passo
Passas por mim
E um silêncio teu me pede pra voltar
Ao te ver seguindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nem um adeus pode apagar.

Cada sonho teu me abraça ao acordar
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nem um adeus pode apagar

O quê que eu vou fazer pra te lembrar?
Como tantos que eu conheço
E esqueço de amar
Em que espelho teu
Sou eu que vou estar?
A te ver sorrindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nem um adeus vai apagar.

Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nem um adeus vai apagar.

17
Set
09

A seta e o alvo

( Paulinho Moska/ Nilo Romero)

Eu falo de amor à vida
Você, de medo da morte
Eu falo da força do acaso
E você, de azar ou sorte

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta
Te chamo pra festa
Mas você só quer atingir sua meta
Sua meta

É a seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros
Eu digo: “te amo”
E você só acredita quando eu juro

Eu lanço minha alma no espaço
Você pisa os pés na terra
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era
E o que era?

Era a seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera

Eu grito por liberdade
Você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar

Eu corro todos os riscos
Você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade

É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?

22
Ago
09

All Along The Watchtower

Bob Dylan

There must be some kind of way out of here
Said the joker to the thief
There’s too much confusion
I can’t get no relief

Business men they drink my wine
Plow men dig my Earth
None with a level on their mind
Nobody out of this world

No reason to get excited
The thief he kindly spoke
There are many here among us
Who think that life is but a joke

But you and I, we’ve been through that
And this is not our fate
So let stop talking falsely now
The hour is getting late

All along the watchtower
Princes kept the view
While all the women came and went
Barefoot servants too

Outside in the cold distance
A wild cat did growl
Two riders were approaching
And the wind began to howl

All along the tower

22
Ago
09

Panis Et Circenses

Caetano Veloso e Gilberto Gil

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar

Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

13
Ago
09

Absoluto nada

cinza no inverno [em pleno mês de julho] …
do inocente sem cara.
na solidão da ação individual,
nem começo, nem fim;
o inocente mal caráter.
o céu,
um traje de azul muito claro,
[o frio do minuano cortante cobrava seu preço e os termômetros despencaram para graus negativos].
aquilo que se foi na enxurrada do tempo,
frio intenso secava as lágrimas
num olhar perdido e perplexo
de um sem rumo mundano
com a dor de uma criança
que foi deixada para trás.
[um cachorro sem dono]
num olhar em brasa,
esbugalhado e transbordante de cólera.

06
Ago
09

Desafiador desafinado

Zé Carioca samba às margens do Lago Guaíba,
tirando notas líricas do sol como de um pandeiro d’ouro!

Estiquei o mapa de minha mão calejada à vida,
chegando a desviar o olhar e o pensamento de mim mesmo;
esquecendo-me e bebendo-me em cognaque [... drink my wine...] com palavras insólitas e solitárias,
unhas e roupas sujas de terra e suor azedo
por cair nas pedras pesadas do caminho
__em um futuro incerto de pão com ovo frito e radiozinho AM à prestação__.
Culpa de quem? Quem esgoelar?

Vários golpes de arma branca mal traçados no ar
[em batalhas imaginárias contra o inimigo invisível dentro de ninguém],
com o olho seco, vidrado e frio
estilhacei o serenar da mina d’água mineral com gás
que lavaria o seio de uma vida inteira pela metade
["... onde você já não faz mais parte da metade de nós dois..."].

Incinerei respostas pisoteadas pela sola de minhas botas,
cuspidas pelo desprezo e pela irrelevância de um flato.
Não sei de quem é o seio. Mocotó fede a porco!
Mofo fede! O sol irá sempre brilhar!
Coloquei as roupas no varal para secar [lavei-as, à mão, com amaciante Plufi e sabão KiCôco].

Outro verbo, massaroca revirada
e revolvendo a revirar…
em o já sem sabor chiclete léxico de tanto mascar… nhac, nhac, nhac,
samba do gringo doido [ e o quindim de iaiá, cumé, cumé, cumé?] que não quer se fazer traduzir
em um caldo grosso débil sentimental nos becos com hálito de mictório em qualquer um.

O que não foi dito, já o foi?
E o desdito, compreendido?
Por quem? Nem compreender.
Tergiverso às paredes grafitadas
que não são minhas e que me ignoram
… e até fogem de mim. Voltem!!!
Venha cabrocha, para o terreiro prometido de leite e mel!
Euuuu souuuu o samba…

27
Jun
09

Perplexo

“A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamente, beije demoradamente,
ame verdadeiramente, ria incontrolavelmente, e nunca deixe de sorrir, por
mais estranho que seja o motivo.
A vida não pode ser a festa que esperávamos, mas enquanto estamos aqui,
devemos dançar… o mal humor envelhece o corpo e entristece a alma,
trazendo para nosso semblante a expressão de que estamos de mal com o mundo e principalmente com a gente mesmo…”

Colheita de vozes interiores
num diálogo substantivo às paredes;
inesperadas tensões de desespero
em cenas irreais de pesadelos.
O surreal é cômico e patético
_de nenhum lugar a lugar nenhum_
para não dizer, a deprimentes girassóis.
O passado não mais me interessa.
O opaco cálice quebrado
com sangria esvaída em desesperado pânico
da perda no imprevisto imponderável.
Casas sombrias de madeiras com limo,
o mofo exalado na vida sem sol;
requentar as letras de fo
Do pó veio, no pó ficará!

08
Jun
09

Medos

O do oceano
_diante do infinito da vida_
no oceano escuro azul,
entre montanhas submarinas escondidas,
na soma de todos os medos internos,
a calmaria encontrou a tempestade
e, às curvas do imprevisto imponderado, a dor;
a fobia que se espalha,
a real consciência da limitude existencial;
um sem fim, o luto sem corpo,
o eu sem voz:
que não consegue diferenciar o raro do comum,
resgatado do fundo escuro para a luz da verdade.

01
Jun
09

Tudo quanto penso

Fernando Pessoa

Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.
Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.

21
Mai
09

Smoking in the stars

“… fórmula para idiotas: obediência ou desobediência a deus…[lendas hagiográficas de nível mental diferenciado... " quase tardio, retardado do monkey moon... bubbles fly.

Deriva, fundamentalmente,
do que a gente não espera:
Toda a bagunça me organiza. Qual é?
Sonhei viver de amor vestal e palavras de ricos sabores.
Em letras e vísceras, faço juízo de valor como um profeta equivocado,
no "modus operandi" da forja da faca:
fogo, água e pancada na anotomia conceitual.
O dom do toque incomum da palavra certa?
Estelionato sem graça, palavras sem sentido,
nada de novo entre os iguais; letras, vazias, iguais:
a velocidade é diferente para cada um
[uns voam, outros dormem em cima do relógio];
a sua falta ninguém pode ver…
e em todos os lugares _sempre_ só estou de passagem, cantando para o santo.
Quero viver sem amores antigos para esquecer
entre a opinião publicada destas letras minimalistas quase niilistas, pois,
cansei de chamar você no telefone mudo,
retornando-me respostas, em pesadelos patéticos!
Construção e demolição dos versos de F. Pessoa em um extrato de letras,
em um soco de Leminsky no estômago com fome existencial.
Onde há discussão, há uma exposição confusa de revirar a letra em uma panela sobre um fogão da dislexia silenciosa. A refundação do verbo nativo com novos olhares pelo avesso do mal e ao mau,
deixando a flecha voar, sem rumo, em atos de intervenção ao ambiente.
No fim, tudo, quer dizer nada.