Arquivo para Junho, 2009

27
Jun
09

Perplexo

“A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamente, beije demoradamente,
ame verdadeiramente, ria incontrolavelmente, e nunca deixe de sorrir, por
mais estranho que seja o motivo.
A vida não pode ser a festa que esperávamos, mas enquanto estamos aqui,
devemos dançar… o mal humor envelhece o corpo e entristece a alma,
trazendo para nosso semblante a expressão de que estamos de mal com o mundo e principalmente com a gente mesmo…”

Colheita de vozes interiores
num diálogo substantivo às paredes;
inesperadas tensões de desespero
em cenas irreais de pesadelos.
O surreal é cômico e patético
_de nenhum lugar a lugar nenhum_
para não dizer, a deprimentes girassóis.
O passado não mais me interessa.
O opaco cálice quebrado
com sangria esvaída em desesperado pânico
da perda no imprevisto imponderável.
Casas sombrias de madeiras com limo,
o mofo exalado na vida sem sol;
requentar as letras de fo
Do pó veio, no pó ficará!

08
Jun
09

Medos

O do oceano
_diante do infinito da vida_
no oceano escuro azul,
entre montanhas submarinas escondidas,
na soma de todos os medos internos,
a calmaria encontrou a tempestade
e, às curvas do imprevisto imponderado, a dor;
a fobia que se espalha,
a real consciência da limitude existencial;
um sem fim, o luto sem corpo,
o eu sem voz:
que não consegue diferenciar o raro do comum,
resgatado do fundo escuro para a luz da verdade.

01
Jun
09

Tudo quanto penso

Fernando Pessoa

Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.
Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.