Nunca soube dizer o que sinto,
não querendo dizer que não sinta.
Corro para esfolar fantasmas
que querem me assustar,
que querem me levar tudo,
antes de eu chegar.
[sempre a mesma bosta para pisar,
sem a mesma porta para bater].
É um acontecimento revelador: demonstra como a vaidade cega; a revolta interna corrói _numa sangria contínua_, a sabedoria fenece quando enegrecida pela bile; a amarga sensação de tempo perdido em divagações, depressões mentais inúteis e intransponíveis pela inesperiência. Despreparo, na leitura subliminar das relações interpessoais diante do tribunal de rua, numa pálida sombra de si mesmo. A sombra das derrotas infortunas.
Algo superior, inquestionável e imcompreensível. Quem paga, tudo isto?
Uma sensação estética de ter sido abandonado pelo caminho, de ter perdido o tempo por entre os dedos, de sua vez ter passado, de dar passagem ao que vem: o novo tempo! Que, também, poderá ser repetição do que foi. É. É isto: vida é repetição com alguns aperfeiçoamentos ou ajustes aos novos moradores inquilinos desta vida.
Algo íntimo para ter um lugar no mundo, uma casa apenas sua; um universo sagrado que fica gravado na mente, uma quimera miserável de um miserável.
Entretanto, parece cada vez menor e miserável e sem criatividade ou coragem, e as ações não condizem muito com a personalidade.
Está repleto de respostas destituídas da força magnética da prosa do dia-a-dia, pólo oposto ao elevado céu de qualidade.
Talvez sinta agora uma sensibilidade maior ao frio, uma vontade de voltar mais cedo para casa; seu olhar não arda mais quando pousa nas coisas; e o rosto sobre a mesa, encurvado, tudo imóvel, sem mais enigmas ou chegadas ou partidas, simplesmente espera sem a caneta, sem o cinzel, sem mais a curiosidade necessária, fazer a maquiagem retórica e corporal de gente sem conserto.
Um fantoche. Com rugas descrentes.
“O que mais te surpreende na humanidade?”. E ele respondeu: “Os homens me surpreendem… Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro, e vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”. Dalai Lama
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