Vida de otário,
tem tragédias, tem dois lados,
mesmo quando aterrorizantes
na indiferença.
Ironia:
Ter fome e não ter o que comer,
ter o que comer e não poder comer
… por causa da hiperglicemia!
Arquivo para Maio 4th, 2009
Noite outonal em Gothan City,
mesmo se não tivesse esse diálogo.
[me faz pensar uma vez mais no quanto devo]
O karma responderia à altura
nas vozes que o tempo esqueceu de envelhecer,
precisariam proceder por tentativa
e erro de decidir por uma noite de farra.
[dizem alguns, do alto de uma superioridade tão ridícula quanto insustentável]
Vacinado contra tal tipo de arrogância
foi por ter tido… fome.
P.S.: Nunca agradeci a mal-encarada companheira que ensina, nem pude fazê-lo depois, pois nunca mais nos cruzamos. Faço-o agora.
Eu, réu de mim
… o advogado de defesa faz suas alegações finais…
Quantas oportunidades perdidas, quantas coisas por dizer, quanto sangue desperdiçado pelos olhos. Nunca fomos tão incapazes __por bestas deficiências emocionais legais, cegas__ de abarcar e relacionar tantos assuntos, até mesmo díspares e contraditórios, com tanta lógica e engenho, sem exceção, demonstrando os graves acidentes de percurso que um pensamento apaixonado-confuso e expansivo-perdido pode sofrer por não haver a compreensão subliminar mútua. Nunca fomos culpados, pois, estas letras não interessam, nem devem interessar a ninguém e não quero que interesse. Nossa história não vende.
Nós, os personagens, vociferamos, caluniamos, analisamos e diminuímos os objetos de contemplação resignada em todos os sentidos e direções, acusando fracassos, denunciando preconceitos e, de modo intenso e arrebatado, transferindo culpas e responsabilidades, reclamando por uma vida miserável perdida por entre os dedos dos anos (e que talvez nunca tenha existido). Quando na verdade queríamos o doce… nos queríamos com toda força sanguínea, com toda força pulmonar, fundir visceralmente carne na carne, dente com dente. Mas, o verbo soou mudo, distorcido pela corrosão abrasiva de muita comunicação dispersa entre espinhos.
Na acidez da visão, pela ira da voz, os manuscritos vitais, tortuosos e densos poderiam ser facilmente contra-indicados a todos os espíritos frágeis desejosos de palavras leves, frugais e imaginárias – o mundo amargo e asfixiante da fome existencial, que parece não possuir espaço para a inocência: as frases de sintaxe complexa em Braille para leitores de pupilas dilatadas às portas da percepção, as constantes repetições ensurdecedoras para indiferentes, a detalhada exposição das fraquezas depenadas de tudo e de todos: um universo inebriado em plena decomposição, que a narração recupera e lamenta enquanto busca culpados que possam responder por tudo aquilo que se perdeu. Quem pagará pelo breu?
Devemos, pois,
singrar a intoxicada juventude.
para depois entendermos a maturidade
e seus arrependimentos.
Diferentemente, sentir um nó se formar na garganta
pela cena de vida que poderia ter acontecido
numa farsa literária vivida com linguagem alegórica.
A introspecção, o pensar seu mundo, um prazer genuíno no “insight cerebral” de uma cena completa, com uma forte visão do todo atingível, e uma profunda compreensão de suas criaturas numa plasticidade abstrata nunca encontrada.
É uma renovação.
Há um pouco de tudo: pensamento, narração (reduzida ao essencial), humor, erotismo, música, pintura, filosofia, complexidade psicológica, imaginação verbal e um bufo grotesco.
Recordar-se os motivos pelo qual se retirou de Gothan City enquanto, sem piedade alguma, disseca as suas relações, enquanto rememora, com humor e emoção, seu passado comum com sua quimera vestal, efêmera e etérea, de como seus sonhos foram destruídos, um a um, pela mesquinhez do mundo que o cercava, de como a inocência com a qual via o mundo e a arte foi destruída pelo universo desconhecido que se abria, promissor, diante dele, iludindo-o com um futuro feliz que nunca teria.
Rememora, escutando as opiniões pedantes e afetadas do traça inexistencial que quer dar soluções, faz croquis de perfis dantescos de quem vê e pensa que vê você, com ironia, que se consome e cria.
Desde setembro de 19??,
com a diferença de dias,
o verbo briga entre o mar e o rochedo,
feito homem poderoso pensar.
este viveu
sonhando com a própria estátua.
Grande impacto emocional.
na convergência de método infames
de eliminação do sonho,
do pó ao pó
manchando de opróbrio
[cúmplice e executor] de vida suburbana.
Como também sua vida,
_imprevisível_,
a palavra-espinho com a agudez da flecha:
disparada, nada intercepta ao alvo,
que nada esmaece
ao olho cego da tempestade.