Narrador do mal
em pálido e confuso
prêmio geoestratégico
de um casebre humano
a encarar seus problemas
internos de forma pacífica,
desejando evoluir muito
aquém das suas origens miseráveis,
depois do colapso dos planos.
Não decolou.
Perdeu a justificativa de sua existência:
defender-se contra um possível ataque
dos inimigos imaginários.
Não existem inimigos declarados,
somente, sombras mal esclarecidas
violando as promessas de prosperidade
[... tss, tss, moscas do destino].
Arquivo para Abril, 2009
O santo de barro disse:
Que o céu é dele
e que tudo, vai mudar!
Que de pronto, respondo:
Lobo em pele,
vai pastar!
[O mar continuará a ser mar,
e o sertão continuará a ser sertão].
Ser cristão é exercer,
toda a força da culpa.
Quais são? Quanto tem de fartura do lixo?
Máquinas em trabalho
na área restrita dos lúdicos
demônios internos.
[O truque del diablo
é se fazer pensar inexistir]
O começo insano é sempre melhor
onde a ocasião é tudo,
onde o impossível vira comum.
Lambidas concretistas,
em tráfego de informações,
na tábua de valores da fortuna crítica
do ser em si, o “eu” feito letra.
Somos códigos binários,
protocolos herméticos do ser em ser,
lei do karma errado na busca da luz verdadeira
em um desencanto deseperado
de viver sabendo que morrerá.
“…os otimistas acham que vai dar merda e os pessimistas acham que a merda não vai dar pra quem quer…”
Visionários em níveis de alcance,
valendo cada parágrafo de [r]evolução.
Num ciclo de valores agregados,
__definido e controlado__,
que alavanca as perspectivas.
Letras.
Com olhar de contemplação resignado
busco-se como oráculo para a salvação:
salvação de misérias internas,
da agudez de visão mundana,
da obtusa análise de buscar
seu caminho próprio.
Novos modelos de oportunidades
diferenciados de conceitos revisados
para os fins a que o destina
[e uso efetivo] em mobilidade
de mentes sem fronteiras.
A crença em si mesmo
no mundo fácil das celebridades fúteis,
que minera a atenção de gnomos urbanos
que consomem, ávidamente, lixo eletrônico
[algo sem precedentes sem que ninguém seja responsabilizado pelo absurdo].
Lembranças podem voltar a incomodar,
sem ideais de lutar para mudar o mundo,
nos chamando à razão e limpando tudo
o que não faz mais sentido em vidas.
sobre as subculturas que querem sobreviver.
Invertendo forças de consumo,
produzindo cultura de pessoas reais das ruas.
A arte serve para criar barulho
que traz, em si, o tempo silencioso.
A matéria-prima da vida é o tempo solene.
A gente comeu o futuro, que é passado.
O último poder das letras
é deixar o tempo mais lento [que ninguém lerá no relógio].
A letra muda a velocidade do tempo.
O tempo se defaz como nossos dias
um elemento essencial, mas na maioria das vezes não lembrado.
[Tem também o jardim onde as pessoas vão consumindo tudo que há pela frente e a casa que vai sendo queimada enquanto as pessoas dormem, comem… A destruição está na cara delas, e elas permanecem impávidas].
inimigos das novidades,
o futuro é agora,
na análise das teias de aranha
e das vírgulas mal faladas
que impressionam mais
do que emocionam na estética fria.
No imaginário com a cumplicidade,
num texto desconcertante,
se deve ser conseqüente até o final.
“… se conforma ao consistente desprezo ocidental pela democracia, a não ser que esta esteja sob controle”.
Bocas repetidas
em histórias requentadas
sem inteligência pronunciada,
nem levada a sério -
tanto o que diz quanto o que omite
em corolário que supera o cinismo.
O silêncio refuta os floreios de oratória,
a falsidade é particularmente notável.
Uma voz deveria se fazer ouvir,
pelo menos como uma resposta moral
_ o notável texto tem de ir muito além _
Isso vai mesmo além de um consenso.
Não no passado, nem no futuro, mas é no presente que todas as construções são elaboradas e realizadas. A ação se dá no presente.
Todo escritor precisa ser lido para continuar vivo, embora também possa sobreviver através de outras metamorfoses quando se encaminha para uma epifania de um vazio interior exibicionista e brega. Em parte tragado pelo seu próprio tempo e pelo personagem que escolheu viver, aparentemente transgressor, mas cujo comportamento é uma resposta
a sua miserabilidade de não atingir os seus sonhos.